Poderoso instrumento da comunicação, o evento é hoje a principal estratégia de marketing das grandes empresas. Apostar na realização de um evento é mais do que destinar verba para esse acontecimento, é fortalecer a imagem organizacional estreitando o relacionamento com o público-alvo, potencializando as vendas de um certo produto, ou mesmo materializando os conceitos pelos quais a empresa é baseada.
As organizações procuram se diferenciar e permanecer na mente do consumidor, e utilizam-se de alternativas diferenciadas para gerar uma experiência de marca com ele. Desta forma, a importância de estimular um vínculo entre empresas e público levam-nas a investir em Eventos Proprietários.
Quem nunca ouviu falar do Skol Beats, Tim Festival, Vivo Open Air, Coca-Cola Vibezone, Red Bull Air Race, entre tantos outros eventos que levam em seu nome a marca do seu grande patrocinador?

Um dos maiores eventos proprietários que é realizado em São Paulo está previsto para acontecer no dia 7 de novembro: A terceira edição do Planeta Terra Festival contará com a presença de artistas nacionais e internacionais, como Sonic Youth, The Ting Tings e Movéis Coloniais de Acaju.
Após o fim do Tim Festival, o Planeta Terra tornou-se o principal evento musical na cidade de São Paulo, e este ano o palco do evento será montado no parque de diversões Playcenter. No ano passado, 15 mil pessoas foram conferir nomes como Kaiser Chiefs, Bloc Party, The Offspring, The Jesus and Mary Chain e Mallu Magalhães.

E por quê será que esta estratégia de comunicação está sendo tão difundida e valorizada ultimamente? E qual o motivo dos jovens serem os alvos principais deste tipo de ação?
Bem, a mídia espontânea gerada com esses eventos é um dos motivos das incorporações acreditarem nessa alternativa. A repercussão de um evento proprietário gera uma mídia espontânea equivalente ao dobro do total investido.
Além disso, uma pesquisa apresentada no final de 2008 pelo Núcleo Jovem da Editora Abril mostra que 66% dos jovens entrevistados consideram eventos proprietários como o formato publicitário mais positivo, seguidos por filme para TV de 30″ (55%) e advergames customizados (48%), dado que responde o porquê da maioria dos eventos proprietários terem os jovens como alvo.
Apesar de ser indiscutível o fato dos eventos proprietários atraírem milhares de pessoas, gerarem mídia espontânea e trazerem grandes nomes da música nacional e internacional, há alguns problemas a serem discutidos a respeito da efetividade desta estratégia.
O fato da maioria dos grandes festivais de música visarem o público jovem e, consequentemente trazerem grandes nomes do ramo que são apreciados por essa parcela, torna os eventos proprietários muito parecidos, aumentando a dificuldade de quem não foi ao evento saber qual banda tocou em qual festival, refletindo na baixa repercussão dos eventos depois de alguns meses de apresentação, não criando um vínculo duradouro da marca com as pessoas.

Além disso, a quantidade de eventos separados por poucas semanas (a maioria desses eventos acontecem no segundo semestre devido a dificuldade de agendar artistas internacionais de porte em outros períodos do ano, pois não dá para concorrer com os festivais de verão do hemisfério norte, que lotam as agendas e enchem os bolsos dos astros) e que buscam o mesmo target pode ter prejudicado uma presença maior de público, já que a maioria das pessoas não dispõe de dinheiro suficiente para comparecer a todos os eventos, apesar do benefício da meia-entrada.
Mesmo com os contras, é indiscutível a importância de eventos proprietários na estratégia de comunicação de diversas empresas em diferentes segmentos e portes. Associar a empresa a eventos tornou-se muito importante para gerar maior fixação de sua marca, principalmente na área de serviços.
Com a realização desses eventos é possível criar um relacionamento mais profundo entre consumidor e marca, o que garante a agregação de valores intangíveis que permeiam a organização e a consolidação da fidelidade do cliente com a empresa.
Juliana Dragoni