
Cannes está a todo vapor. Até agora o Brasil tem 29 Leões: 5 de Ouro, 10 de Prata e 13 de Bronze + um de PR que não têm distinção entre Ouro, Prata ou Bronze.
Press:
Em Press, uma das categorias mais concorridas e esperadas, o Brasil ganhou 7, a metade de Lions do ano passado. Dos 3 ouros, 2 (Latin Stock e Toda rotina pede férias) foram para a DM9DDB que utilizam muito bem a interdependência redação-arte, enquanto a campanha Até onde vai a sua criatividade? da AlmapBBDO para a escola Panamericana de Design (que aliás, lembra muito algo que tínhamos na vivência aqui da ECA e infelizmente foi retirado depois da “reforma”). Ia esquecendo, o GP foi pra Fred & Farid pela campanha para a Wrangler Wrangler , na minha opinião tinha melhores…
Outdoor:
E pra quem pensa que o Outdoor está em decadência no Brasil, ganhamos 5 Leões esse ano, com destaque para as peças da JWT para o fio dental Reach, uma ideia muito simples porém muito eficiente, daquelas que agradam não só cliente como a agência. O GP foi para uma campanha ousada da TBWA para um jornal da África do Sul, criticando o governo pela a alta desvalorização da moeda local. Isso lembra o que já foi discutido pela Alê aqui no blog…
Rádio:
Uma mídia que não tem tanto glamour mas que mostrou trabalhos geniais foi o rádio. Com um ótimo insight de como usar uma das deficiências do rádio (a generalidade dos sons) a Almap conseguiu o único Lion brasileiro na categoria, seguindo o conceito de “Até Onde Vai Sua Criatividade” do resto da campanha.
Media:
Media, uma das categorias mais styles na minha opinião, teve um GP que usou muito bem uma característica cultural do Japão: a seriedade e a extremidade com que os japoneses levam os exames escolares. Fizeram um Kit Kat Mail, o famoso chocolate foi “transformado” em um postal que as pessoas mandavam para desejar sorte aos estudantes. Pelo Brasil, a Lew Lara ganhou o único ouro entre os 6 Lions, pela campanha, criada para a Nissan onde o leitor fazia sua própria capa do Estadão. Uma menção que vale a pena é a ação da África para o Itaú, em parceria com a Veja que criou anúncios personalizados na edição de 40 anos da revista.
PR:
Em PR, foi um merecidíssimo GP para “Best Job In The World” (que também ganhou GP de Direct), aquela campanha onde se oferecia a vaga de zelador de uma ilha paradisíaca com um salário de US$20.000. E vale mencionar o Lion para a brasileira LiveAd, como Melhor Uso da Internet pela campanha dos “Mil Casmurros” que soube trabalhar muito bem a interatividade e melhorou a imagem da TV Globo com os internautas.
Promo:
Agora imaginem um briefing onde você tem que fazer uma campanha para conseguir moradores e melhorar a imagem de uma cidade falida… Esse foi o problema trabalhado pelo ganhador de Promo, a Beacon Communications, que organizou uma campanha valorizando o alto número de “casais felizes” da cidade. Isso mostra como se olhar o lado bom da moeda pode ser a solução para o lado ruim.
Design:
O GP de design para a McCann – Hong Kong é um ótimo exemplo da interatividade, usada desta vez não com o consumidor mas com as estrelas da campanha. Além de ter ficado muito bonito se diferenciou pela forma que foi feita, talvez o diferencial desse trabalho. Para o Brasil virão 7 Lions, dentre eles gostaria de destacar o bronze para a DM9 pelos anúncios da Saxofunny que refletem bem a funcionalidade que um bom design deve ter.
Cyber:
Deixei cyber por último por considerar que por estarmos nesse meio haveria mais interesse e facilidade para se entender como foi o projeto, já que são sites, virais ou banners. Foram 3 GP”’’s: mais um para o “Best Job in The World” que se firma posição de favorito ao Titanium, um para o “Why So Serious” o segundo ano consecutivo da 42 Entertainment, considerado por muitos o viral-modelo, e por último para a AKQA – Londres para a Fiat . Esta última, um projeto onde você baixa um software, conecta um pen-drive em um dos modelos da Fiat com Blue&Me e depois no PC, baseando-se em dados do desempenho do carro e do trânsito, se pode conseguir dicas de como dirigir de forma ecológicamente correta. Uma iniciativa muito boa que desbancou o Whooper Sacrifice , segundo os jurados porque eles não poderiam premiar uma coisa que faz você “excluír pessoas” em detrimento de uma que te faz ajudar o mundo. O Brasil levou 2 prêmios, com destaque para a campanha da Sun MRM para a Estação do Bem Estar, que com um gasto de US$ 25 consegui US$ 4.705 de doações.
Seja a interatividade do “Mil Casmurros”, da Escola Panamericana de Design ou até da Nike de Hong Kong, esta é uma uma característica que têm se repetido entre todas as premiações. É óbvio que essa têm sido uma característica muito visada e glorificada por todos, porém é difícil atrair com facilidade a participação do público, além disso a utilização da interatividade em mídias tradicionais é ainda mais restrita pela falta do suporte tecnológico que, por exemplo, a internet trás.
Os outros prêmios iremos postar semana que vem aqui no blog.
Jean Michel
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