O Tripé

O mundo está bastante mudado. A ação humana sobre o globo acarretou diversas consequências negativas para o ambiente. Adotando uma postura mais premonitória e apocalíptica, pode-se dizer que o mundo está mudado acabando, ou ao menos é essa a tendência até começarmos a fazer alguma coisa. E não adianta negar, temos culpa, e você sabe disso.

A crise ambiental eclodiu nos anos 90 e desde então diversas pressões sociais e políticas induziram as empresas começaram a despertarem para esse problema, repensando sua postura perante o uso que faz dos bens naturais e a influência no ambiente em que está inserida.
Com a presença constante e sempre intensa dos problemas ambientais na mídia, as empresas que primeiro demonstraram se importar com o planeta adquiriram um diferencial competitivo de peso e passaram a ser as escolhidas pelo público.

Atualmente, no entanto, esse fato não é mais um diferencial e se tornou um requerimento, mas surgiram novos complementos à ideia de Desenvolvimento Sustentável. Hoje essa ideia não se refere apenas a questões ambientais, mas engloba também sociais e econômicas: Eis o Triple Bottom Line.

O Triple Bottom Line, também conhecido como 3Ps (People, Planet e Profit – Pessoas, Planeta e Lucro) e se popularizando no Brasil como Tripé da Sustentabilidade, é, superficialmente, a busca pela boa qualidade de vida das pessoas envolvidas direta ou indiretamente com a organização aliada à minimização/anulação dos danos ambientais, compensando-os sempre que ocorrerem. E onde entra o “Lucro”? Bom, não podemos mais aceitar empresas que lucrem devastando, mas não podemos exigir a falência delas em prol das causas sociais e ambientais. Assim, eis o grande desafio do TBL: as organizações devem ser social e ambientalmente responsáveis sem deixar de serem economicamente sustentáveis.

Todos temos ciência da desigualdade social, exploração de mão de obra, corrupção, superfaturamento, inflação, degradação ambiental, extermínio de espécies, esgotamento de substâncias e dos enormes custos financeiros necessários para evitar alguns desses problemas. Há ainda o altruísmo implícito em cada uma das soluções potenciais desses problemas e a enorme adaptação cultural necessária para efetivamente estarmos dispostos a mudar as coisas, o que demanda tempo e mais dinheiro das organizações.

Não vou entrar no mérito de discutir teorias nas quais os defensores e atacantes do TBL se embasam e muito menos discorrer dos inúmeros cases organizacionais que o conceito vem gerando, mas minha opinião é a favor do movimento: É o planeta e seus habitantes que estão em jogo.

Por mais caro que seja para uma indústria se iniciar no TBL esse é um investimento de longo prazo muito válido, que apresenta um retorno certo de início imediato: Agrega-se muito valor intangível às companhias que zelam pelo ambiente e sociedade, e a tendência é a busca do cada vez mais expressiva dos consumidores por essas empresas. O diferencial competitivo é claro.

Com o passar do tempo as tecnologias favoráveis ao ambiente vão barateando e se tornando mais acessíveis, reduzindo mais os custos de adaptação das empresas interessadas, além de apoios governamentais e Projetos de Lei.

Esse é um assunto vasto, que se embasa em diversas teorias e está gerando grandes cases organizacionais em todo o mundo. Por mais tentador que seja, me limito a essa introdução ao tema e deixo ao interesse dos leitores buscar por mais informações.

Os links a seguir desenvolvem mais o tema, além dos filmes The Corporation e How Stuff Works:

How Stuff Works Brasil, Amanhã, Wikipedia Brasil, Wikipedia Internacional

How Stuff Works:

O Triple Bottom Line é um conceito de potencial de aplicação astíssimo, podendo ser aplicado em escala global, governamental, regional, empresarial, domiciliar ou mesmo pessoal. Se é tão fácil e versátil, além de agregar tanto e gerar um bem tão grande (ou evitar tanto mal…), por que não aplicar? Será que não vale o esforço? O custo inicial não é perdido, é um investimento, então por que as empresas não se esforçam para colocar em prática ações embasadas nesses conceitos? Cabe a todos nós mudarmos isso, especialmente aqueles que são ou serão profissionais de comunicação.

Roger Stephan

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