Dubai: sonho ou realidade? Este lugar existe?

Quando se pensa em Dubai é impossível não pensar e luxo e riqueza. Também é impossível não pensar no esplendor dos grandes hotéis ou das maravilhas naturais das praias. Apesar de todos estes elogiosos adjetivos, Dubai é caracterizada por pontos de não lugar.

Dubai é a cidade mais populosa dos Emirados Árabes Unidos e também, um dos sete emirados árabes – territórios administrados por um emir, uma espécie de nobre islâmico. A cidade data de 1830 e era, nos primórdios, uma aldeia de pescadores e coletores de pérolas. Após alguns conflitos entre uma tribo que lá se instalou e a família residetente, o foco da cidade se voltou para o comércio com estrangeiros. Foi ai que Dubai se abriu, economicamente, e começou a investir no comércio.

Ao contrário da maioria dos Estados dos Emirados, a maior fonte de renda de Dubai não é o petróleo (6% da renda), mas sim o turismo, o setor imobiliário e o comércio. Suas próprias criações como hotéis, centros de comércio e diferenciais que só Dubai pode oferecer, constituem sua oferta turística.

O turismo é uma das principais atividades econômicas de Dubai. Por isso, quase tudo está voltado para o turismo. Hotéis, centro de compras e locais de lazer e entretenimento compõem a maior parte da oferta da cidade. Tudo isso é regado de luxo, tecnologia e modernidade, fazendo de tudo para agradar a todos. Alguns pontos turísticos se destacam na cidade, tais como:

- Palm Islands: ilhas artificiais no formato de palmeira, nas quais comércios e residências serão construídos.

- The World: um arquipélado artificial que forma o desenho do mapa-mundi.

- Burj Al Arab: é um dos hotéis mais luxuosos de Dubai. O edifício imita a vela de um barco e é um dos
principais cartões postais da cidade e do país.

- Burj Dubai: é o arranha-céu mais alto do mundo. Ainda esta em construção. Acredita-se que ele terá
aproximadamente entre 700 e 800 metros de altura.

-Parque Aquático Wild Wadi: é um parque aquático ao ar livre com uma piscina de ondas, escorregadores, cachoeira e duas máquinas de surf.

-Ski dubai: é um dos maiores resorts de ski do mundo, localizado dentro de um shopping de Dubai.

-Hydropolis: é um hotel subaquático, no qual pode-se ver o fundo do mar.

O Antropólogo francês Marc Augé criou um conceito para ilustrar uma condição de alguns lugares – o não lugar. Segundo ele, o conceito foi criado “para designar um espaço de passagem incapaz de dar forma a qualquer tipo de identidade”. Auge define o lugar, enquanto espaço antropológico, como um espaço identitário, relacional e histórico. O não-lugar será então um lugar que não é relacional, não é identitário e não histórico.

No caso de Dubai, o local foi inteiramente reinventado, criado e produzido para atender a um segmento. O turismo criou um mundo de ilusões e lugares imaginários. Isto gera enormes problemas pois os turistas agem como agentes de degradação cultural ou mesmo de aculturação. Com a passagem de tantas pessoas por Dubai, trazendo costumes e culturas diferentes, acabam descaracterizando totalmente a população do local.

Outro grande problema de um não lugar são os impactos ambientais. É claro que um profundo estudo deve ter sido elaborado para Dubai, porém é importante ressaltar. As construções de enormes ilhas artificiais não gerariam um impacto sobre a vida marinha? Para onde é mandado todo o lixo remanescente do consumo em massa? Se lá antes era deserto e agora é uma cidade, para onde foi toda a fauna característica deste tipo de região?

Pista de ski no meio do deserto é algo normal? Realmente não, mas para atender aos desejos do turista, para chamar a atenção e para lucrar vale tudo. Quanto de energia não é gasta para sustentar a temperatura e a produção incessante de neve? Essas são questões para se pensar o quanto o turismo influencia no espaço geográfico e nos seus elementos constituintes.

Foram destacados somente os problemas do não lugar, porém o não lugar também cria experiências que se não fosse o não lugar, jamais seriam realizadas. Por exemplo, esquiar vendo o deserto e o sol escaldante do lado de fora. Cria também empregos, desde a construção do não lugar até a manutenção do empreendimento. Os não lugares, geralmente, são enormes obras arquitetônicas que geram conhecimento e engrandecem a civilização.

Alex

Comments are closed.